Literatura, vocação (por José Sarney)
José Sarney celebra novo selo e homenagem na Academia Brasileira de Letras
Na manhã de 28 de novembro de 2025, a Academia Brasileira de Letras (ABL) recebeu a editora Ciranda Cultural, que lançou, sob o selo Principis, três romances de José Sarney: O Dono do Mar, Saraminda e A Duquesa vale uma Missa. Na mesma sessão, a ABL dedicou uma homenagem ao escritor, organizando uma análise de suas obras por Domício Proença e Antônio Carlos Secchin. O evento reforçou a relevância literária de Sarney, que já publicou mais de 120 títulos, além de 168 edições no mercado nacional e internacional.
A trajetória de Sarney no campo literário remonta à sua juventude no interior do Maranhão, onde, ao lado de seu pai, desenvolveu um profundo apreço pela leitura. Ele começou a produzir pequenos livros, como A Canção Inicial e Poemas Decadentes, e participou de um grupo de artistas que buscava revitalizar o estado. Entre seus colegas estavam o poeta Bandeira Tribuzzi e outros escritores que, influenciados por Fernando Pessoa, trouxeram a poesia portuguesa ao cenário local. Em 1960, com a publicação de A Canção Inicial, Sarney ingressou na Academia Maranhense de Letras e, posteriormente, se envolveu em atividades políticas.
Durante seu mandato como governador do Maranhão, Sarney conciliou a administração estadual com a produção literária. Em meio à pressão por reformas e projetos de lei, ele escreveu o livro de contos Norte das Águas, que recebeu elogios de críticos nacionais. Nas décadas seguintes, publicou obras de poesia (Os Maribondos de Fogo, Saudades Mortas), contos, romances e ensaios. Em 2018, o escritor já contava com 119 títulos publicados em 168 edições distintas. Nos anos seguintes, novas obras e reedições expandiram ainda mais seu catálogo, atingindo audiências brasileiras e estrangeiras.
A atuação política de Sarney, embora tenha influenciado a percepção de sua obra no Brasil, não prejudicou seu reconhecimento internacional. Escritores como Rachel de Queiroz, Jorge Amado e Darcy Ribeiro reconheceram sua contribuição literária, mesmo que alguns críticos tenham confundido o político com o escritor. No exterior, avaliações se concentraram exclusivamente em seu trabalho literário, evidenciando o distinto posicionamento que a produção textual de Sarney mantém quando comparada às suas atividades governamentais. O lançamento do selo Principis e a homenagem na ABL ressaltam o impacto duradouro de sua carreira na literatura brasileira.